quinta-feira, 29 de novembro de 2018

LUTO! SISTEMA PRISIONAL DE MG



Hoje o Sistema Prisional Mineiro perde mais um Agente de Segurança Penitenciário em virtude de autoextemínio, Asp Leidinaldo Ladeira, que até a presente data estava lotado no ceresp da Gameleira, cometeu suicídio por um ato de desespero, sua vida perdeu  o sentido. Era um excelente profissional, que diga-se de passagem, até aonde eu tenho conhecimento, estava sendo acompamhado pela Diretoria de Saúde do Servidor somado ao total apoio pelos servidores do CERESP. Todavia, infelizmente não fora possível evitar esta fatalidade. 

Deixo aqui, minha opinião:

Se por um lado existem questões pessoais para se realizar o ato, por outro o contexto social, sobretudo o Sistema Prisional termina por incentivar quem já tem predisposição para ceifar a própria vida. 
A situação cotidiana dos Agentes de Segurança Penitenciários requer muita atenção. Primeiro, porque realizamos um trabalho em que estamamos cotidianamente sobre pressão. Todos os dias lidamos  com aquilo que é exceção para a maioria das demais profissões. Homicidas, estupradores, assaltantes, motins, rebeliões e tantas outras situações complexas fazem parte do cotidiano do trabalho do Agente Penitenciário. 

Outro aspecto a se destacar é a grande quantidade de trabalho de que o ASP tem, estou como Diretor, mas admito, com constante pressões de algumas chefias para suprir a demanda do dia a dia no cárcere, corrobora para enfraquecer a saúde mental destes profissionais.  

Outro fator não menos importante e a situação econômica do Estado, fazendo com que tenhamos uma remuneração parcelada e ruim, logo, o operador de segurança não vislumbra outra alternativa a não ser o famigerado "bico" para sustentar a sua família. A situação fica ainda mais delicada, com isso, Agentes Penitenciários dentre outros operadores da seguranca publica utilizam a hora de folga para realizar outros trabalhos o que aumenta seu grau de stress. Ou seja, realizam um trabalho emocionalmente e muitas vezes fisicamente extenuante e não possuem tempo para se recuperar. É expressiva a quantidade de Agentes Penitenciários que possuem dívidas como, por exemplo, um empréstimo consignado, o que aumenta a pressão no indivíduo. 

É preciso, ainda, considerar que muitos Agentes Penitenciários  estão sob chefias que possuem pouco preparo para lidar com a situação emocional dos Servidores, talvez até porque  também precisam de ajuda. Estamos imersos em uma cultura masculina onde dor e sofrimento deve ser a todo custo escondido. Também é muitas vezes mal visto se procurar auxílio psicológico, visto por alguns como coisa de fracos ou de quem quer fugir do trabalho.

A maioria dos Agentes de Segurança Penitenciário Mineiro sentem, sem generalizar, uma grande maioria, que seu trabalho não é valorizado pela sociedade, pelo Judiciário, pelo Ministério Público, sem demora é criticado pela mídia. Sem contar a pressão de alguns colegas de trabalho, por meio das críticas, da difamação, da calúnia dentro outros meios que fumina a saúde mental do colega de trabalho.Uma nítida sensação entre os Agentes de que eles estão abandonados. 

O suicídio do operador de Segurança Pública precisa deixar de ser um tabu e se tornar um tema de primeira grandeza na agenda dos governantes. É preciso criar programas de prevenção ao suicídio com profissionais das instituições de Segurança, precisam propor melhorias efetivas nas condições de trabalho cotidiana dos Agentes Penitenciários, sobretudo do Mineiro, avaliar in loco como é a pressão cotidiana. Mas, não bastam promessas. 

A população precisa reconhecer melhor o trabalho dos bons Agentes de Segurança Penitenciário, a sua imensa maioria. Todos nós precisamos agir para combater uma das maiores causas de vitimização, o descaso com que somos tratados.

Desculpem pelo desabafo, não "joguem pedras", é só uma opinião.

Rodrigo Malaquias 
Agente Penitenciário 
Diretor Geral 
Ceresp Gameleira

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